Personagem Acredito que o Sinaleiro é protagonista (herói). Tipo plano, porque geralmente curto espaço de tempo. Em relação aos personagens não muda seus aspectos psíquicos no contexto do enredo conto.
Personagem secundária-deuteragonista percebe-se que o narrador-personagem é tratado somente como “Senhor” e não nos revela seu nome.
Ao final da narração surgem duas personagens, aparecerem em um trecho curto da narrativa, acredito que elas são comparsas. Uma delas é tratada por “o homem”, a outra, única personagem que possui um nome é chamada por “Tom”.
Observe: “...me sentei para ordenar os pensamentos, e para evitar que eu desmaiasse. Quando saí novamente, a luz no dia me cobriu e o fantasma tinha desaparecido”. Esse personagem (Tom) relata a morte do sinaleiro que sub entende nesse momento que o conto desenvolve em analepse.
Observe:“... Não havia tempo de checar a velocidade, e eu conhecia o seu cuidado. Como ele parecia não ter ouvido o apito, desliguei-o quando estávamos chegando perto dele, e gritei o mais alto...” (p.13). Um antagonista é o espectro que é considerado fantasma, na narrativa, pois os acontecimentos (acidentes e mortes de humanos) e mensagens que acontece no decorrer do conto.
Tempo É cronológico, onde o autor elabora uma história sequêncial, curta e ágil. Observa-se que aparecem na narrativa anacrônicas, antecipando e relembrando os fatos narrados, proporcionando forte sensação de redundância do evento principal da história.Tem uma enorme presença de analepse no começo do conto quando é relembrada pelo Sinaleiro a tragédia passada: “Seis horas depois da aparição, aconteceu o famoso acidente na via... (p.7). A antecipação de eventos futuros é notável na interpretação onde os sinais misteriosos do espectro pelo sinaleiro; acredito que há uma prolepse aonde o narrador é caracterizado como autodiegético.
Observe: “... Alguma tragédia vai acontecer. Não tenho mais nenhuma dúvida agora, depois do que ocorreu antes. Mais isso me assombra muito”...(p.10).
O conto interage ficticiamente impressionando o leitor causando sensações (arrepios e suspense) retratando fatos de redundância. Percebe-se que no momento que é analisado a distância temporal, as anacrônicas estão presentes no texto, digamos que são internas e repetitivas, homodiegéticas. Observa-se que no início do conto, sub entende que contém efeitos redundância sendo narrativa primária. Em relação a duração há um presença de elipse.
Espaço:
O espaço é presencial num contexto psicológico dos personagens, tem a função de caracterizar os personagens, nitidamente a figura do sinaleiro, dando ênfase como pessoa solitária no convívio social. O sinaleiro parte para tentar decifrar o enigma que o atormenta (espectro). O espaço aparece natural no momento que o sinaleiro foi atingido pelo trem.
Observa-se que o espaço não influencia nas ações dos personagens, não é determinante, porém é essencial para a caracterização dos personagens. Os personagens desenvolvem pontos definidos no espaço e na ação. No momento em que o sinaleiro falece, os outros personagens não ocupam o mesmo espaço podendo ser considerado como imaginário, proporcionando ao leitor uma viajem num possível “mundo real”.
No decorrer da história percebe-se que o espaço é sempre o mesmo, tendo a sensação de mistério envolvendo todo o conto. Interessante que os espaços vão surgindo conforme o narrador movimenta e descreve. Percebe-se que não existe presença de fronteira, que sub entende uma espacialização monotípica, (um ambiente), com tudo observa-se que não tem interesse em outros lugares caracterizando como topofobico.
Topografia: Todo conto é narrado em um microespaço, o cenário é um penhasco e uma cabine de controle e uma linha de trem; o caminho é sinuoso e percorrido várias vezes pelos personagens durante a trama. Não há detalhes da paisagem dominante no ambiente. Percebe-se que ocorrem descrições de movimentos cima para baixo, pois o caminho passa a ser único, dando características de isolamento do personagem principal. Interessante que durante o percurso da narrativa, na local definido como “linha do trem”, não existe inicio, meio e fim. A cidade próxima do local descreve como um ambiente (espaço) exterior é periférico misterioso e distante de outras localidades.
Maria Cecília
Pessoal vou postar algumas coisas que eu fiz..qualquer coisa podem mudar =]
Função do narrador
No conto “O sinaleiro”, o narrador personagem dentro da narrativa, é classificado como narrador de primeiro grau, externo aos eventos narrados. Denominamos então, de narrador extradiegético.
“O que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo.”
Nesse trecho, percebemos nitidamente que apesar do narrador personagem participar do enredo, ele que analisa os comportamento dos outros personagens, suas feições, o espaço, entre outras características externas a nós, leitores. (podemos colocar mais citações)
No entanto, numa mesma narrativa, podemos encontrar passagens de um nível para outro nível de narração , as quais denominamos de metalepses narrativas. No caso do conto, um exemplo a ser analisado seria quando o sinaleiro começa a contar um momento passado da sua vida profissional ao narrador personagem. O sinaleiro então é um narrador de segundo grau, intradiegético.
“Naquele mesmo dia, quando o trem saía do túnel, percebi, por uma janela lateral, o que parecia uma confusão de mãos e cabeças. Alguém gesticulava. Imediatamente sinalizei ao maquinista, ‘Pare!’ Ele apagou a máquina e brecou, mas o trem andou ainda uns cento e cinqüenta metros a partir daqui, ou até mais. Fui atrás dele, e, enquanto isso, ouvi gemidos e gritos terríveis. Uma linda senhorita havia morrido de maneira fulminante em um dos compartimentos. Ela foi trazida para cá e ficou estendida aqui mesmo, neste chão.”
“Verdade, senhor. Verdade. Estou contando precisamente como aconteceu.”
Nessas passagens temos uma metalepse narrativa narrados pelo narrador intradiegético(o sinaleiro) ou podemos chmaar também de hipodiegético. Segundo Genette, o narrador produz uma narrativa que se insere na narrativa primária, interrompendo-a, representando formal e funcionalmente uma narrativa dentro da narrativa, podendo desempenhar funções em relação à narrativa primária.
No caso do conto, encontramos a função explicativa, já que revela, tornando um pouco mais claras as conexões causais entre os eventos diegéticos e hipodiegéticos.
Porém há trechos que trazem incertezas do narrador de segundo grau, podendo ter também uma função temática ou alegórica que ocorre desde tempos entre a presença do espectro na saída do túnel com as pessoas do trem e com a vida profissional do sinaleiro. (???)
“Ele concluiu: “Agora, senhor, considere isso, e julgue se minha cabeça está mesmo perturbada. O fantasma voltou uma semana atrás. Desde então, reaparece de vez em quando”.
Quanto às funções do narrador , existem no conto a função de representação : produz intratextualmente o universo diegético.
“Quando ouviu uma voz chamar assim, ele estava parado na porta da sua cabine, segurando uma bandeirola dobrada sobre o curto cabo. Alguém poderia pensar, considerando a natureza do lugar, que ele não teria nenhuma dúvida sobre a direção de onde vinha a voz; mas, em vez de olhar para cima, onde eu tinha parado no declive sobre sua cabeça, ele se virou e olhou em direção à linha.”
Função metanarrativa: o narrador comenta a organização do texto.
“O que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo.”
Função testemunhal ou modalizante: exprime relação do narrador com a história narrada.
Personagem
Pessoal, ficou faltando falar do espectro, né!
O espectro ou fantasma pode ser considerado um antagonista, pois sua presença na narrativa era, além de insinuar mensagens e acontecimentos que viriam a acontecer, era também provocar acidentes e mortes de humanos. (não sei se está certo)
“Vim para dentro e me sentei para ordenar os pensamentos, e para evitar que eu desmaiasse. Quando saí novamente, a luz no dia me cobriu e o fantasma tinha desaparecido.”
_ Tema, assunto e mensagem
Tema: a dedicação exagerada do sinaleiro em relação a sua vida profissional.
Assunto: as mensagens já anunciadas pelo espectro ao sinaleiro sobre seu futuro se este continuasse voltado apenas ao seu ofício.
Mensagem: para qualquer atividade exercida, deve-se ter preocupação com o nosso limite, não deixando de se preocupar com nossa saúde tanto física quanto mental.
(não sei se estão certo, é apenas a minha opinião) =]
Linguagem e estilo:
Não consegui encontrar muita coisa, pra falar a verdade quase nada mas vou tentar ler de novo e depois posto essa parte até sábado (24/04) . Não tenho certeza se estão correto a parte anterior, qualquer coisa vcs podem mudar =]
Até quinta que vem, beijos!!
Esta wiki está dedicada ao Trabalho de Teoria da Literatura II do segundo período do curso de Letras da UFTM.
Ferrúcio:
Conto em análise: O SINALEIRO
1 - Narrador
- em primeira pessoa (subjetividade)
- homodiegético: participa da história como personagem
- alterdiegético: não é o herói da história
- extradiegético: a narrativa corresponde à totalidade do texto
Espectro
- antagonista (anti-herói)
- plano (tipo)
Tom
- comparsa
- plano (tipo)
Obs.: os personagens principais não tem os seus nomes revelados na história
Clarissa
Bom, vimos que o NARRADOR é PERSONAGEM SECUNDÁRIA = narrador personagem -> deuteragonista
1 - Narrador
- em primeira pessoa (subjetividade)
- homodiegético: participa da história como personagem
- alterdiegético: não é o herói da história
- extradiegético: a narrativa corresponde à totalidade do texto
Acho que é isso aí mesmo Ferrúcio. Podemos colocar uma explicação assim.. o que vcs acham?
-NARRADOR O narrador do conto "O Sinaleiro" é chamado de "Senhor" pelas outras personagens e em nenhum momento ele nos revela seu nome. Ele é caracterizado como narrador-personagem, pois conta em primeira pessoa a história da qual participa também como personagem secundário. O efeito de sentido que narrar em primeira pessoa causa no conto é uma maior subjetividade, pois só vemos um lado da história, somente a versão e a visão de uma persongem. Assim, o narrador mantem uma relação mais íntima com os elementos da narrativa, delata fatos e situações que um narrador em terceira pessoa e heterodiegético não poderia conhecer.
O narrador é portanto homodiegético, participa ativamente da diegese, e alterdiegético pois não é o protagonista mas sim uma personagem secundária e deuteragonista. Sua maneira de contar é marcada por características emocionais e subjetivas revelando um outro efeito de sentido, que é uma maior proximidade com o mundo narrado.
O narrador do conto é também classificado como extradiegético, é um narrador de primeiro grau, ou seja, ele cria o discurso, está presente na narrativa primária.
SEGUNDO NARRADOR
Há um momento na narrativa em que a narração passa para outro narrador, a pessoa do sinaleiro. Esse narrador é classificado como intradiegético, é um narrador de segundo grau pois ele é criado pelo discurso. Acontece então uma metalepse narrativa. A função desse narrador é explicativa, pois ele relata informações complementares e relevantes para a compreensão da história. Ele revela ao narrador principal - Senhor - as razões de suas perturbações, como ele costumava ser feliz e conformado antes de o espectro aparecer em sua vida. Ele revela como tudo começou, como ele era antes das aparições e como ele está no agora da narrativa.
TRECHO:
“Decidi que o senhor”, ele começou, torcendo-se para a frente logo que sentamos, quase murmurando, “não precisará me perguntar duas vezes o que está me perturbando. Ontem à noite achei que o senhor fosse outra pessoa. É isso que está me perturbando.” “O engano?” “Não. O outro.” “Quem é?” “Eu não sei.” “É parecido comigo?” “Eu não sei. Eu nunca vi o rosto. O braço esquerdo sempre fica sobre o rosto, e o direito balança muito, com violência. Desse jeito –“ Com os olhos, eu tentava acompanhar seus gestos cheios de paixão e veemência, “Pelo amo de Deus, saia da frente!” “Uma noite enluarada”, disse o homem, “eu estava sentado aqui quando ouvi um grito: ‘Ei! Aí embaixo!’. Pulei, procurando a porta, e vi essa imagem em pé na luz vermelha perto do túnel, gesticulando como lhe mostrei. A voz parecia rouca e bradava: ‘Atenção! Atenção!’. E novamente: ‘Ei! Aí embaixo! Atenção!’. Apanhei minha lanterna, acendi o vermelho, e corri na direção do vulto, gritando: ‘O que está errado? O que aconteceu? Onde é?’. Ele estava parado bem na saída. Cheguei tão perto que me admirou vê-lo cobrir os olhos com a manga. Corri para onde ele estava e estiquei minhas mãos para puxar a manga; foi quando ele se foi.” “Para o túnel?”, perguntei. “Não. Corri uns quinhentos metros para dentro do túnel. Parei, ergui a lanterna, e distingui os algarismos de medir a distância, e vi o úmido pigmento caindo furtivamente pelas paredes e gotejando através do arco. Corri para fora novamente mais rápido do que tinha entrado (já que tinha uma repugnância mortal por aquele lugar) e olhei ao redor da luz vermelha, com a minha própria iluminação. Subi aos pulos a escada de ferro para a galeria, desci novamente e corri até aqui. Telegrafei para os dois lados, ‘Um alarme foi dado. Algo está errado?”. A resposta veio, de ambos os lados: ‘Tudo certo.’.” (Dickens, 1866, p.6-7)
Bom, gente, ainda tem muita coisa pra mudar, outros trechos pra colocar... mas vamos fazendo aos poucos né, porque não é nada fácil...
Clarissa
Gente... Eu acabei digitando o conto hoje! Pronto! Agora temos com o que trabalhar! Mandei para o e-mail de todos! Tudo certo né?
Clarissa
*personagens
No conto “O Sinaleiro” que analisamos, as personagens principais não têm nomes. O protagonista-herói é tratado como “O Sinaleiro” e a personagem secundária-deuteragonista, o narrador-personagem é tratado somente como “Senhor” e não nos revela seu nome ao narrar. Ao final da narração surgem duas personagens. Por aparecerem somente em um trecho curto e participarem em apenas um momento da narrativa, elas são classificadas como comparsas. Uma delas é tratada por “o homem” ou “o homem que falava para os outros”, a outra, única personagem que possui um nome é chamada por “Tom”.
Trecho:
“Se for, o senhor poderá fazer o reconhecimento”, disse o homem que falava para os outros, solenemente descobrindo sua própria cabeça e erguendo uma ponta da lona, “pois seu rosto ficou inteiro.” “Oh, como isso aconteceu, como isso foi acontecer?”, perguntei, olhando para o grupo enquanto fechava o abrigo. “Ele foi atingido por um trem, senhor. Nenhum homem na Inglaterra conhecia melhor o seu próprio ofício, mas por algum motivo ele não saiu dos trilhos. O dia raiava. Ele acendera a luz da lanterna. Quando o trem saiu do túnel, estava de costas e assim foi atingido. O homem que dirigia a composição estava mostrando como aconteceu. Mostre ao cavalheiro, Tom.” (Dickens, 1866, p.13)
O narrador somente nos revela esse nome: Tom. Tom é um apelido para Tomas. Esse nome é de origem aramaica e significa uma pessoa que vive de maneira intensa e dificilmente se acostuma com uma existência pacata e marcada por atividades de rotina. Podemos dizer que revelar somente esse nome na narrativa não ocasiona nenhum efeito de sentindo, pois podemos pensar que por ser um maquinista, Tom vive uma rotina e uma existência pacata. Pelo menos no conto, essa personagem não nos revela nada de extraordinário. Ele poderia somente ter saído de sua rotina por um momento.
Clarissa
*personagens – Sinaleiro - protagonista
As personagens são planas, como geralmente o são em contos devido ao curto espaço de tempo. No conto “O sinaleiro” não há análises psicológicas profundas e as personagens não mudam de forma intensa seus aspectos psicológicos no decorrer do enredo.
Temos como personagens o protagonista “Sinaleiro”. Ele é considerado herói pois não está abaixo de nós – pessoas comuns – e tem qualidades notáveis. Ele é, dentro da realidade da ficção, uma pessoa responsável, atenta e exata com seu trabalho. Nunca cometera erros, é um homem consciente e reconhecido por realizar seu ofício como ninguém, como se pode ver nos trechos abaixo: Trechos: O que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo. O sinaleiro repetia a palavra “senhor” de tempo em tempo, e especialmente quando se referia a sua juventude, como se quisesse me pedir para entender que não desejava ser mais do que eu estava vendo. Fomos interrompidos várias vezes pela pequena campainha, e pela sua necessidade de ler mensagens e enviar respostas. Uma vez saiu à porta, empunhou a bandeirola enquanto um trem passava, e falou alguma coisa com o condutor. No que toca aos seus deveres, vi que ele era exato e atento, parando de falar no meio da frase e só voltando a conversar quando terminasse o trabalho. (Dickens, 1866, p.4-5) Ele balançou a cabeça. “Eu nunca cometi um erro como esses antes. Nunca confundi o toque do fantasma com o de um homem. O toque do fantasma é uma vibração estranha na sirene que vem do nada, e eu não acho que a vista capte a vibração da sirene. Não me espanto de que você não a tenha ouvido. Maseua ouvi.” (Dickens, 1866, p.9-10)
Era triste ver a dor daquele espírito. A cabeça de um homem consciente estava sendo torturada e oprimida por uma responsabilidade incompreensível que envolvia vidas humanas. (Dickens, 1866, p.10)
“Ele foi atingido por um trem, senhor. Nenhum homem na Inglaterra conhecia melhor o seu próprio ofício, mas por algum motivo ele não saiu dos trilhos.” (Dickens, 1866, p.12)
O Sinaleiro vive em uma vala profunda aonde os raios de sol raramente chegam. É uma pessoa solitária e sua vida se resume ao seu trabalho, à sua cabine – cama, lareira, escrivaninha, telégrafo e sirene – e à ferrovia. Podemos dizer que o lugar que ele escolheu para trabalhar e para passar todo o seu tempo descreve muito sobre a personagem...
Trechos: No que diz respeito àquelas longas e solitárias horas às quais eu parecia fazer tanto caso, ele dizia apenas que a rotina de sua vida e acomodara àquilo. (Dickens, 1866, p.3)
Enquanto trabalhava, precisava realmente ficar exposto àquele corredor de vento úmido? Ele não podia tomar sol entre as altas paredes de pedra? Isso dependeria do clima e das circunstâncias. Em algumas condições havia pouco a fazer na via, tanto durante o dia quanto à noite. Com o tempo claro, ele fugia um pouco das sombras; mas, como poderia a qualquer momento ser chamado pela campainha elétrica, nessas condições ficava ainda mais atento e o descanso era menor do que eu poderia supor. (Dickens, 1866, p.3)
Ele me levou para dentro da cabine, onde havia uma lareira, uma escrivaninha para um livro oficial em que ele fazia certas entradas, um aparelho de telégrafo com seu painel, indicadores e agulhas, e a pequenina sirene de que ele tinha falado. (Dickens, 1866, p.3)
Quando moço (sentado naquela choupana, para mim era mais fácil acreditar naquilo do que para ele), fora um estudante de filosofia natural e assistira a palestras; mas tinha deixado as coisas passarem, perdido várias oportunidades e nunca se recupera. Mas não tinha reclamações sobre aquilo. (Dickens, 1866, p.3)
Clarissa
INFORMAÇÃO IMPORTANTE
SIGNAL-MAN DEFINITION – definição de sinaleiro
- a person responsible for signaling OR receiving signals = pessoa responsável por sinalizar ou receber sinais!!!
Isso diz muito sobre o nosso protagonista, né!
MAYRA: Oláaaaa, pessoar!!
Aki vai algumas anotações q eu fiz...
Curiosidades:
O Sinaleiro = Mescla de um personagem perturbado por uma assombração/alucinação, com um outro que entra de coadjuvante nesta história de suspense que dispensa elogios de tão inédita e bem descrita que é.
O Sinaleiro pertence a uma zona nebulosa, ou intermédiaria, entre o conto de terror ou sobrenatural, e o conto policial, que mal iniciava na sua época. Aliás, é possivel que Dickens tenha começado a se interessar pelo romance policial pela influencia de seu amigo Wikie Collins tanto que, ao morrer, deixou sua primeira tentativa no gênero inacabada, O mistério de Edwin Brood ( e a própria vida, talvez confirmando o autor se encarregou de dar um ar sobrenatural ao fururo desde romance, que teve varias tentativas de finalização via psicologia ) inclusive por parte de um operário inculto e espírita que teria recebido o “ espírito” de Dickens.
Descrição Física do Sinaleiro :
“ Homem moreno e pálido com uma barba escura e sobrancelhas espessas.” ( Dickens, 1866, p 2 )
“ Foi mais ou menos sobre isso que falei, mas sem nenhuma certeza sobre os termos adequados a usar, já que não sou muito bom para começar uma conversa e também havia alguma coisa de ameaçadora naquele homem.” ( Dickens, 1866, p3)
“ Pensei em algo assustador enquanto acompanhava o olhar fixo e o rosto saturnino daquele espírito ( não era uma pessoa ) comecei a especular se ele tinha algum problema mental.” ( Dickens, 1866, p3)
OBS: SATURNINO = sombrio, triste como a cor do chumbo.
“ O sinaleiro tinha também estudado frações e decimais e tentado uma pequena álgebra,mas era desde garoto inábil para calculo.
OBS: INABIL=
Que não é hábil; sem destreza ou competência; desajeitado, inapto.
Incapaz
“ o que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo.” ( dickens,1866, p 3)
MAYRA:
Olha gente o que eu achei
Na linha do trem
Com lugar de honra em Contos Fantásticos do Século XIX:oFantástico Visionário e o Fantástico Cotidiano - antologia organizada pelo escritor italiano Ítalo Calvino publicada no Brasil em 2004 -, o conto "O Sinaleiro", de Charles Dickens, já rendeu uma boa adaptação para a televisão britânica em 1976, protagonizada pelo ator Denholm Elliott. Agora é a vez de ser levada à tela grande, desta vez numa produção apoiada nos mais modernos recursos da tecnologia digital.
A iniciativa é do cineasta Ricardo Garcia Marques, que se propõe a conduzir o espectador por uma viagem pelos trilhos do processo criativo do próprio Dickens, um dos maiores nomes da literatura inglesa do século XIX. Em Na Linha do Trem, o personagem-título vive atormentado por fantasmas que aparecem na boca do túnel da ferrovia - única comunicação do Sinaleiro com o mundo - para anunciar terríveis acidentes.
A fim de explorar o potencial imagético sugerido pelo conto, Marques opta pelo uso intensivo de técnicas de computação gráfica, efeitos especiais e chroma-key. As cenas filmadas em estúdio com os atores são digitalmente mescladas às "locações", que, no caso, se resumem tomadas de uma maquete de estação de trem.
VOu assisitir...
Entre um arrepio e outro, o excelente “O sinaleiro”, de Dickens, provoca reflexões sobre a monotonia da vida dos ferroviários e sobre estranhas circunstâncias presentes na vida humana.
Ae No Youtube tem um filmizinho... pena q esta em inglês....
Achei alguns textos sobre o autor do nosso conto CHarles Dickens..
Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a ser editados. Entre os seus maiores clássicos destacam-se "Oliver Twist", "A Christmas Carol" e "David Copperfield".
Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado por sua mãe, tomou gosto pelos livros. Durante três anos freqüentou uma escola particular. Contudo o seu pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos.
Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra.
Em 1827, Dickens começou a trabalhar em um cartório. Apaixonado pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell, suportou a desaprovação do romance pelos pais da moça, que acabou se tornando indiferente a ele.
Em 1832 conseguiu um emprego como repórter no jornal "Morning Chronicle". Passou a publicar crônicas humorísticas sob o pseudônimo de Boz, reunidas mais tarde como "Esboços feitos por Boz". Com isso Dickens ganhou espaço no jornal para apresentar os capítulos de "As Aventuras do Sr. Pickwick", que estabeleceu o seu nome como escritor.
A 2 de Abril de 1836 Dickens se casou com Catherine Hogarth., com quem teve dez filhos. Dois anos depois começou a divulgar, em folhetins semanais, "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava os males sociais da era vitoriana. O romance era ilustrado por Cruikshank.
Em 1838, Dickens escreveu "Vida e Aventura de Nicholas Nickleby", e, depois, "Loja de Antiguidades" (1840), "Barnaby Rudge" (1841) e "Martin Chuzzlewitt" (1843/44), escrito após uma viagem aos Estados Unidos.
Em 1843, publicou o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol", ao qual se seguiriam outros, como "The Chimes" (1844), que escreveu durante uma viagem a Gênova e "O Grilo da Lareira" (1845). Em 1849 publicou um de seus mais conhecidos romances, "David Copperfield", inspirado em grande parte, na sua própria vida. Aos poucos sua obra se tornou mais crítica em relação às instituições inglesas. Seguem esta linha os seus livros "Assim São Dombey e Filho" (1847), "A Casa Sombria" (1852) e "Tempos Difíceis".
Dickens separou-se da sua mulher em 1858. A causa da separação teria sido a atriz Ellen Ternan, que acompanhou o escritor até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente.
Dickens escreveu ainda "História de Duas Cidades" (1859), "Grandes Esperanças" (1861) e "Nosso Amigo Comum" (1864). Nos últimos anos de sua vida iniciou o livro "O Mistério de Erwin Drood", mas morreu antes de concluí-lo.
Escritor inglês nascido em 1812, em Landport, Portsmouth, e falecido a 8 de Junho de 1870, em Gadshill, Rochester. Charles Dickens nasceu numa família modesta e foi obrigado a trabalhar, ainda criança, depois do pai ter sido preso por acumulação de dívidas. Nessa altura já vivia em Londres, para onde se mudou aos dois anos. Conseguiu fazer a instrução primária e foi então trabalhar como ajudante num escritório de advogados. Aos 18 anos, também fazia leituras públicas no Museu Britânico. Entretanto, tornou-se jornalista, tendo elaborado crónicas sobre o parlamento britânico e textos para jornais humorísticos.
Aos 21 anos iniciou a carreira de escritor, assinando contos e ensaios que eram publicados em jornais. Cinco anos mais tarde, escreveu o livro The Pickwick Papers (As Aventuras Extraordinárias do Senhor Pickwick) e tornou-se, desde logo, um autor de sucesso. Passou então a publicar romances através de folhetins mensais que se tornaram muito populares. Com este livro, nasceu um novo tipo de mercado para os escritores ingleses, propondo obras mais baratas. Oliver Twist, uma das obras mais conhecidas de Dickens, também foi inicialmente publicada em fascículos, entre 1837 e 1839. Neste livro, conta a história de um rapaz a quem é escondida uma valiosa herança e que acaba por integrar um bando de jovens ladrões.
Seguiu-se Nicholas Nikelby, lançado entre 1838 e 1839, que conta a história de um rapaz em busca de fortuna. Este romance foi adaptado ao cinema, em 1948, por David Lean.
Em 1843, surgiu A Christmas carol (Cântico de Natal), que tornou famosa a personagem de Mr. Scrooge, nomeadamente através de diversas adaptações cinematográficas.
Em David Copperfield, acabado de publicar em 1850, Dickens aproveitou a sua experiência de trabalho numa fábrica para escrever a história.
Entre 1860 e 1861, publicou uma das suas últimas grandes obras, Great Expectations (Grandes Esperanças), onde conta a história de um órfão que é adoptado por uma família rica e se torna um snob. Mas quando o seu protector morre, tem de partir de novo do nada.
Inspirado na sua infância infeliz, Dickens lançou romances protagonizados por crianças, como David Copperfield, Hard Time (Tempos Difíceis) e Oliver Twist, onde estas são os heróis, mas onde há muito humor. As suas obras denunciam a vida difícil do operário na sociedade industrial emergente e, em particular, a miséria das classes sociais mais baixas e a precariedade da infância, ao mesmo tempo que evidenciam uma arte narrativa caracterizada por uma grande penetração psicológica posta na composição dos caracteres.
Paralelamente à carreira de escritor, Charles Dickens viajou bastante fazendo campanha contra os males da sociedade. Dedicou-se também a dar conferências, nomeadamente nos Estados Unidos da América.
Depois de ter vivido em Londres, Itália, Suíça e França, Dickens estabeleceu-se em Gadshill (Inglaterra), em 1860, onde viria a morrer a 8 de Junho de 1870.
Gente, montei a parte das funções do espaço!!
Vou arrumar direitinho o q a gnt fez até agora de narrador e arrumar esse trem do espaço e por aqui!!
O trabalho é pra dia 18 de maio, e nao dia 15 de junho!
REUNIÃO DE HOJE - DIA 15 DE ABRIL CANCELADA!! O TEMPO
O tempo da narrativa é predominantemente cronológico, onde o autor traça a história numa sequência clara de eventos, em uma narrativa curta e ágil. Contudo, algumas anacronias aparecem na narrativa, tanto antecipando como rememorando os fatos narrados, causando uma forte sensação de redundância do evento principal da história.
Verifica-se o uso ou a presença de analepse no início do conto, quando o sinaleiro relembra as tragédias passadas:
“Seis horas depois da Aparição, aconteceu o famoso acidente na via. Depois de dez horas os mortos e feridos foram trazidos através do túnel até o lugar onde o vulto tinha estado.” (pag. 7) Em seguida, antecipa-se os eventos futuros pela interpretação dos sinais misteriosos do espectro pelo sinaleiro, de onde se verifica o uso de prolepse, de ocorrência típica quando o narrador é autodiegético:
“Qual é o perigo? Onde está o perigo? Há perigo em algum lugar na via. Alguma tragédia vai acontecer. Não tenho mais nenhuma dúvida agora, depois do que ocorreu antes. Mais isso me assombra muito. O que eu posso fazer?” (pag. 10) Novamente, o conto culmina em analepse, com o personagem Tom relatando a morte do sinaleiro, de ocorrência anterior ao momento da narrativa:
“Saindo da curva do túnel, senhor”, ele disse, “consegui vê-lo de longe, como se eu o avistasse por uma lente. Não havia tempo de checar a velocidade, e eu conhecia o seu cuidado. Como ele parecia não ter ouvido o apito, desliguei-o quando estávamos chegando perto dele, e gritei o mais alto que pude.” (pag. 13)
É exatamente esse enfoque que confere ao conto, repita-se, uma sensação de redundância que impressiona o leitor, causando arrepios e estarrecimento. Antecipar os fatos e, posteriormente, narrá-los como já consumados, é uma estratégia eficiente em contos de suspense.
Do ponto de vista da distância temporal, as anacronias presentes no texto podemos dizer que são internas, homodiegéticas e repetitivas, pois sua duração começa e acaba com a narrativa primária, se referindo a mesma linha de história, visando produzir efeitos de redundância.
Do ponto de vista da duração, verificamos a ocorrência de elipse, ou time shift, quando o autor evita narrar partes da narrativa que seriam pouco interessantes, ou atrapalhariam a narrativa primária, sem muito a acrescentar. Assim, não seria interessante, nem contribuiria para a narrativa, contar o que o narrador fazia no momento da morte do sinaleiro. Narra-se tão somente sua saída e sua volta à cena:
“Seu horário de trabalho mudaria na noite seguinte, ele sairia uma ou duas horas depois do raiar do dia e só voltaria à noite. Marquei de voltar naquele horário. A noite caíra bastante amena, e eu saí mais cedo para desfrutar dela. O sol não estava ainda muito baixo quando atravessei o atalho perto do topo do alto barranco.” (pag. 12)
Clarissa
Gente, hj nao tem reunião! Próxima reunião - dia 29 de abril - quinta-feira
vamos levar tempo, espaço e linguagem analisados!
e aquelas partes das funçoes do narrador!
daí vai faltar pouco!!!
até a próxima quinta-feira!!
_
ESPAÇO
FUNÇÕES DO ESPAÇO
1 – Caracterizar as personagens, situando-as no contexto sócio-econômico e psicológico em que vivem.
No conto, o espaço nitidamente é elaborado para dar ênfase ao contexto psicológico dos personagens. Ao definir o espaço em um ambiente restrito a um penhasco e um cubículo, próximo a uma linha de trem, o autor demonstra intenção em trabalhar o contexto psicológico dos personagens. Logo, o espaço tem a função de caracterizar os personagens, nitidamente a figura do sinaleiro, destacando-o como pessoa isolada em seus afazeres, sem convívio social. Esse isolamento espacial reflete também o isolamento do personagem, ajuda a caracterizá-lo. Claramente, essa situação espacial foi desenvolvida intencionalmente pelo autor.
2- Influenciar as personagens e também sofrer suas ações.
O espaço não influencia as ações dos personagens, no conto. Não é determinante, nesse sentido, embora seja essencial para a caracterização dos personagens.
3- Propiciar a ação.
O isolamento espacial é propício para desenvolver o tipo de ação pretendida pelo autor. Nesse ambiente solitário, o sinaleiro parte em diversas buscas ao encalço do espectro, para tentar decifrar o enigma que o atormenta. O espaço aparece de forma tão restrita, que parece mesmo natural que o sinaleiro tenha sido atingido pelo trem, em uma de suas buscas, como se não houvesse outro espaço possível.
4- Situar o personagem geograficamente.
Esta função está presente na narrativa. Os personagens se deslocam no espaço e a ação se desenvolve em pontos definidos. Quando o sinaleiro morre, por exemplo, os outros personagens não ocupam o mesmo espaço, vindo a saber do fato em um momento posterior.
5 – Representar os sentimentos vividos pelos personagens.
Ao descrever um cenário isolado e rústico, o espaço da narrativa aparece em homologia com o sentimento do personagem. Ou seja, a solidão do personagem aparece refletida no cenário, se constituindo de um aspecto importante na narrativa.
6 – Estabelecer contraste com as personagens.
Não aparece no conto. O espaço construído não faz oposição com os personagens, pelo contrário, ajuda a caracterizá-los.
7 – Antecipar a narrativa.
Não há elementos suficientes no cenário para influenciar o leitor a antecipar a narrativa. Os acontecimentos são imprevisíveis.
ESPAÇO E ENREDO
O espaço do conto pode ser considerado como imaginativo. Não se assemelha ao cotidiano da vida real, mas é possível de ser imaginado, com elementos que auxiliam ao leitor que o espaço criado pelo autor é possível de existir em algum lugar do planeta, embora não exista de fato, nem se reflita no cotidiano da vida real.
O percurso espacial está presente na narrativa, havendo a apresentação dos personagens, a complicação (quando os encontros com o espectro são narrados pelo sinaleiro), o desenvolvimento (quando os personagens tentam resolver o enigma, sem sucesso, voltando em seguida aos seus lugares de origem) e o desfecho.
Em todo o enredo, o espaço é sempre o mesmo. Isso reforça a sensação de solidão, de isolamento e de mistério que envolve toda a trama.
TOPOGRAFIA LITERÁRIA
Não existe a descrição de um macroespaço na narrativa. Toda a trama se passa em um microespaço, cujo cenário é limitado a um penhasco, uma cabine de controle e uma linha de trem. De fato, o cenário é tão limitado, em sua descrição, que tudo parece envolto em névoas, já que o horizonte não é descrito. O único elemento de natureza presente é o penhasco, cujo caminho sinuoso é percorrido várias vezes pelos personagens durante a trama.
Decididamente, podemos dizer que o espaço da narrativa se resume a este ambiente, não havendo descrição detalhada de uma paisagem dominante, nem disputa por territórios de nenhuma espécie.
Visualizando a narrativa por um eixo vertical, verificamos que ocorrem movimentos no eixo cima-baixo. Essa movimentação parece ter sido intencionalmente posta para caracterizar ainda mais o isolamento do personagem principal, cujo ambiente só é acessível por meio de um caminho sinuoso.
No eixo horizontal, não há descrições. Existe uma linha de trem, mas não se sabe o seu começo ou fim. Existe uma cidade próxima ao local, mas nem ela nem seu caminho são descritos, apenas sabe-se que é próxima, mas não é descrita e não faz parte do ambiente da narrativa. Ou seja, não há amplitude horizontal.
Não se trata de espaço interior, e sim exterior, mas tem amplitude restrita, é periférico, distante. E sua posição correta não é sabida. Um espaço perfeito para uma pequena trama de mistério.
ESPACIALIZAÇÃO
A espacialização é nitidamente dissimulada. Os espaços vão surgindo conforme o personagem-narrador vai se movimentado e os descrevendo. Mesmo a linha de trem, que estava próxima, somente é notada após a passagem do trem.
Para descrevê-los, o autor se vale de gradações sensoriais da visão e audição do personagem-narrador. Não há interação com elementos olfativos, táteis ou de sensibilidade ao paladar.
Não há presença de fronteira, se tratando de uma espacialização monotópica, restrito a um único ambiente. Podemos dizer mesmo que seja topofóbico, não havendo interesse em outros lugares.
Personagem
Acredito que o Sinaleiro é protagonista (herói). Tipo plano, porque geralmente curto espaço de tempo. Em relação aos personagens não muda seus aspectos psíquicos no contexto do enredo conto.
Personagem secundária-deuteragonista percebe-se que o narrador-personagem é tratado somente como “Senhor” e não nos revela seu nome.
Ao final da narração surgem duas personagens, aparecerem em um trecho curto da narrativa, acredito que elas são comparsas. Uma delas é tratada por “o homem”, a outra, única personagem que possui um nome é chamada por “Tom”.
Observe:
“...me sentei para ordenar os pensamentos, e para evitar que eu desmaiasse. Quando saí novamente, a luz no dia me cobriu e o fantasma tinha desaparecido”.
Esse personagem (Tom) relata a morte do sinaleiro que sub entende nesse momento que o conto desenvolve em analepse.
Observe: “... Não havia tempo de checar a velocidade, e eu conhecia o seu cuidado. Como ele parecia não ter ouvido o apito, desliguei-o quando estávamos chegando perto dele, e gritei o mais alto...” (p.13).
Um antagonista é o espectro que é considerado fantasma, na narrativa, pois os acontecimentos (acidentes e mortes de humanos) e mensagens que acontece no decorrer do conto.
Tempo
É cronológico, onde o autor elabora uma história sequêncial, curta e ágil. Observa-se que aparecem na narrativa anacrônicas, antecipando e relembrando os fatos narrados, proporcionando forte sensação de redundância do evento principal da história.Tem uma enorme presença de analepse no começo do conto quando é relembrada pelo Sinaleiro a tragédia passada: “Seis horas depois da aparição, aconteceu o famoso acidente na via... (p.7). A antecipação de eventos futuros é notável na interpretação onde os sinais misteriosos do espectro pelo sinaleiro; acredito que há uma prolepse aonde o narrador é caracterizado como autodiegético.
Observe:
“... Alguma tragédia vai acontecer. Não tenho mais nenhuma dúvida agora, depois do que ocorreu antes. Mais isso me assombra muito”...(p.10).
O conto interage ficticiamente impressionando o leitor causando sensações (arrepios e suspense) retratando fatos de redundância. Percebe-se que no momento que é analisado a distância temporal, as anacrônicas estão presentes no texto, digamos que são internas e repetitivas, homodiegéticas. Observa-se que no início do conto, sub entende que contém efeitos redundância sendo narrativa primária. Em relação a duração há um presença de elipse.
Espaço:
O espaço é presencial num contexto psicológico dos personagens, tem a função de caracterizar os personagens, nitidamente a figura do sinaleiro, dando ênfase como pessoa solitária no convívio social. O sinaleiro parte para tentar decifrar o enigma que o atormenta (espectro). O espaço aparece natural no momento que o sinaleiro foi atingido pelo trem.
Observa-se que o espaço não influencia nas ações dos personagens, não é determinante, porém é essencial para a caracterização dos personagens. Os personagens desenvolvem pontos definidos no espaço e na ação. No momento em que o sinaleiro falece, os outros personagens não ocupam o mesmo espaço podendo ser considerado como imaginário, proporcionando ao leitor uma viajem num possível “mundo real”.
No decorrer da história percebe-se que o espaço é sempre o mesmo, tendo a sensação de mistério envolvendo todo o conto. Interessante que os espaços vão surgindo conforme o narrador movimenta e descreve. Percebe-se que não existe presença de fronteira, que sub entende uma espacialização monotípica, (um ambiente), com tudo observa-se que não tem interesse em outros lugares caracterizando como topofobico.
Topografia:
Todo conto é narrado em um microespaço, o cenário é um penhasco e uma cabine de controle e uma linha de trem; o caminho é sinuoso e percorrido várias vezes pelos personagens durante a trama. Não há detalhes da paisagem dominante no ambiente. Percebe-se que ocorrem descrições de movimentos cima para baixo, pois o caminho passa a ser único, dando características de isolamento do personagem principal. Interessante que durante o percurso da narrativa, na local definido como “linha do trem”, não existe inicio, meio e fim. A cidade próxima do local descreve como um ambiente (espaço) exterior é periférico misterioso e distante de outras localidades.
Maria Cecília
Pessoal vou postar algumas coisas que eu fiz..qualquer coisa podem mudar =]
Função do narrador
No conto “O sinaleiro”, o narrador personagem dentro da narrativa, é classificado como narrador de primeiro grau, externo aos eventos narrados. Denominamos então, de narrador extradiegético.
“O que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo.”
Nesse trecho, percebemos nitidamente que apesar do narrador personagem participar do enredo, ele que analisa os comportamento dos outros personagens, suas feições, o espaço, entre outras características externas a nós, leitores. (podemos colocar mais citações)
No entanto, numa mesma narrativa, podemos encontrar passagens de um nível para outro nível de narração , as quais denominamos de metalepses narrativas. No caso do conto, um exemplo a ser analisado seria quando o sinaleiro começa a contar um momento passado da sua vida profissional ao narrador personagem. O sinaleiro então é um narrador de segundo grau, intradiegético.
“Naquele mesmo dia, quando o trem saía do túnel, percebi, por uma janela lateral, o que parecia uma confusão de mãos e cabeças. Alguém gesticulava. Imediatamente sinalizei ao maquinista, ‘Pare!’ Ele apagou a máquina e brecou, mas o trem andou ainda uns cento e cinqüenta metros a partir daqui, ou até mais. Fui atrás dele, e, enquanto isso, ouvi gemidos e gritos terríveis. Uma linda senhorita havia morrido de maneira fulminante em um dos compartimentos. Ela foi trazida para cá e ficou estendida aqui mesmo, neste chão.”
“Verdade, senhor. Verdade. Estou contando precisamente como aconteceu.”
Nessas passagens temos uma metalepse narrativa narrados pelo narrador intradiegético(o sinaleiro) ou podemos chmaar também de hipodiegético. Segundo Genette, o narrador produz uma narrativa que se insere na narrativa primária, interrompendo-a, representando formal e funcionalmente uma narrativa dentro da narrativa, podendo desempenhar funções em relação à narrativa primária.
No caso do conto, encontramos a função explicativa, já que revela, tornando um pouco mais claras as conexões causais entre os eventos diegéticos e hipodiegéticos.
Porém há trechos que trazem incertezas do narrador de segundo grau, podendo ter também uma função temática ou alegórica que ocorre desde tempos entre a presença do espectro na saída do túnel com as pessoas do trem e com a vida profissional do sinaleiro. (???)
“Ele concluiu: “Agora, senhor, considere isso, e julgue se minha cabeça está mesmo perturbada. O fantasma voltou uma semana atrás. Desde então, reaparece de vez em quando”.
Quanto às funções do narrador , existem no conto a função de representação : produz intratextualmente o universo diegético.
“Quando ouviu uma voz chamar assim, ele estava parado na porta da sua cabine, segurando uma bandeirola dobrada sobre o curto cabo. Alguém poderia pensar, considerando a natureza do lugar, que ele não teria nenhuma dúvida sobre a direção de onde vinha a voz; mas, em vez de olhar para cima, onde eu tinha parado no declive sobre sua cabeça, ele se virou e olhou em direção à linha.”
Função metanarrativa: o narrador comenta a organização do texto.
“O que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo.”
Função testemunhal ou modalizante: exprime relação do narrador com a história narrada.
Personagem
Pessoal, ficou faltando falar do espectro, né!
O espectro ou fantasma pode ser considerado um antagonista, pois sua presença na narrativa era, além de insinuar mensagens e acontecimentos que viriam a acontecer, era também provocar acidentes e mortes de humanos. (não sei se está certo)
“Vim para dentro e me sentei para ordenar os pensamentos, e para evitar que eu desmaiasse. Quando saí novamente, a luz no dia me cobriu e o fantasma tinha desaparecido.”
_
Tema, assunto e mensagem
Tema: a dedicação exagerada do sinaleiro em relação a sua vida profissional.
Assunto: as mensagens já anunciadas pelo espectro ao sinaleiro sobre seu futuro se este continuasse voltado apenas ao seu ofício.
Mensagem: para qualquer atividade exercida, deve-se ter preocupação com o nosso limite, não deixando de se preocupar com nossa saúde tanto física quanto mental.
(não sei se estão certo, é apenas a minha opinião) =]
Linguagem e estilo:
Não consegui encontrar muita coisa, pra falar a verdade quase nada mas vou tentar ler de novo e depois posto essa parte até sábado (24/04) . Não tenho certeza se estão correto a parte anterior, qualquer coisa vcs podem mudar =]
Até quinta que vem, beijos!!
Esta wiki está dedicada ao Trabalho de Teoria da Literatura II do segundo período do curso de Letras da UFTM.
Ferrúcio:
Conto em análise: O SINALEIRO
1 - Narrador
- em primeira pessoa (subjetividade)
- homodiegético: participa da história como personagem
- alterdiegético: não é o herói da história
- extradiegético: a narrativa corresponde à totalidade do texto
2 - Personagens
Sinaleiro
- Protagonista (herói)
- Plano (tipo)
Narrador?
- deuteragonista
- redondo (não símbolo)
Espectro
- antagonista (anti-herói)
- plano (tipo)
Tom
- comparsa
- plano (tipo)
Obs.: os personagens principais não tem os seus nomes revelados na história
Clarissa
Bom, vimos que o NARRADOR é PERSONAGEM SECUNDÁRIA = narrador personagem -> deuteragonista
1 - Narrador
- em primeira pessoa (subjetividade)
- homodiegético: participa da história como personagem
- alterdiegético: não é o herói da história
- extradiegético: a narrativa corresponde à totalidade do texto
Acho que é isso aí mesmo Ferrúcio. Podemos colocar uma explicação assim.. o que vcs acham?
-NARRADOR
O narrador do conto "O Sinaleiro" é chamado de "Senhor" pelas outras personagens e em nenhum momento ele nos revela seu nome. Ele é caracterizado como narrador-personagem, pois conta em primeira pessoa a história da qual participa também como personagem secundário. O efeito de sentido que narrar em primeira pessoa causa no conto é uma maior subjetividade, pois só vemos um lado da história, somente a versão e a visão de uma persongem. Assim, o narrador mantem uma relação mais íntima com os elementos da narrativa, delata fatos e situações que um narrador em terceira pessoa e heterodiegético não poderia conhecer.
O narrador é portanto homodiegético, participa ativamente da diegese, e alterdiegético pois não é o protagonista mas sim uma personagem secundária e deuteragonista. Sua maneira de contar é marcada por características emocionais e subjetivas revelando um outro efeito de sentido, que é uma maior proximidade com o mundo narrado.
O narrador do conto é também classificado como extradiegético, é um narrador de primeiro grau, ou seja, ele cria o discurso, está presente na narrativa primária.
SEGUNDO NARRADOR
Há um momento na narrativa em que a narração passa para outro narrador, a pessoa do sinaleiro. Esse narrador é classificado como intradiegético, é um narrador de segundo grau pois ele é criado pelo discurso. Acontece então uma metalepse narrativa. A função desse narrador é explicativa, pois ele relata informações complementares e relevantes para a compreensão da história. Ele revela ao narrador principal - Senhor - as razões de suas perturbações, como ele costumava ser feliz e conformado antes de o espectro aparecer em sua vida. Ele revela como tudo começou, como ele era antes das aparições e como ele está no agora da narrativa.
TRECHO:
“Decidi que o senhor”, ele começou, torcendo-se para a frente logo que sentamos, quase murmurando, “não precisará me perguntar duas vezes o que está me perturbando. Ontem à noite achei que o senhor fosse outra pessoa. É isso que está me perturbando.”
“O engano?”
“Não. O outro.”
“Quem é?”
“Eu não sei.”
“É parecido comigo?”
“Eu não sei. Eu nunca vi o rosto. O braço esquerdo sempre fica sobre o rosto, e o direito balança muito, com violência. Desse jeito –“
Com os olhos, eu tentava acompanhar seus gestos cheios de paixão e veemência, “Pelo amo de Deus, saia da frente!”
“Uma noite enluarada”, disse o homem, “eu estava sentado aqui quando ouvi um grito: ‘Ei! Aí embaixo!’. Pulei, procurando a porta, e vi essa imagem em pé na luz vermelha perto do túnel, gesticulando como lhe mostrei. A voz parecia rouca e bradava: ‘Atenção! Atenção!’. E novamente: ‘Ei! Aí embaixo! Atenção!’. Apanhei minha lanterna, acendi o vermelho, e corri na direção do vulto, gritando: ‘O que está errado? O que aconteceu? Onde é?’. Ele estava parado bem na saída. Cheguei tão perto que me admirou vê-lo cobrir os olhos com a manga. Corri para onde ele estava e estiquei minhas mãos para puxar a manga; foi quando ele se foi.”
“Para o túnel?”, perguntei.
“Não. Corri uns quinhentos metros para dentro do túnel. Parei, ergui a lanterna, e distingui os algarismos de medir a distância, e vi o úmido pigmento caindo furtivamente pelas paredes e gotejando através do arco. Corri para fora novamente mais rápido do que tinha entrado (já que tinha uma repugnância mortal por aquele lugar) e olhei ao redor da luz vermelha, com a minha própria iluminação. Subi aos pulos a escada de ferro para a galeria, desci novamente e corri até aqui. Telegrafei para os dois lados, ‘Um alarme foi dado. Algo está errado?”. A resposta veio, de ambos os lados: ‘Tudo certo.’.” (Dickens, 1866, p.6-7)
Bom, gente, ainda tem muita coisa pra mudar, outros trechos pra colocar... mas vamos fazendo aos poucos né, porque não é nada fácil...
Clarissa
Gente... Eu acabei digitando o conto hoje! Pronto! Agora temos com o que trabalhar! Mandei para o e-mail de todos! Tudo certo né?
Clarissa
*personagens
No conto “O Sinaleiro” que analisamos, as personagens principais não têm nomes. O protagonista-herói é tratado como “O Sinaleiro” e a personagem secundária-deuteragonista, o narrador-personagem é tratado somente como “Senhor” e não nos revela seu nome ao narrar. Ao final da narração surgem duas personagens. Por aparecerem somente em um trecho curto e participarem em apenas um momento da narrativa, elas são classificadas como comparsas. Uma delas é tratada por “o homem” ou “o homem que falava para os outros”, a outra, única personagem que possui um nome é chamada por “Tom”.
Trecho:
“Se for, o senhor poderá fazer o reconhecimento”, disse o homem que falava para os outros, solenemente descobrindo sua própria cabeça e erguendo uma ponta da lona, “pois seu rosto ficou inteiro.”
“Oh, como isso aconteceu, como isso foi acontecer?”, perguntei, olhando para o grupo enquanto fechava o abrigo.
“Ele foi atingido por um trem, senhor. Nenhum homem na Inglaterra conhecia melhor o seu próprio ofício, mas por algum motivo ele não saiu dos trilhos. O dia raiava. Ele acendera a luz da lanterna. Quando o trem saiu do túnel, estava de costas e assim foi atingido. O homem que dirigia a composição estava mostrando como aconteceu. Mostre ao cavalheiro, Tom.” (Dickens, 1866, p.13)
O narrador somente nos revela esse nome: Tom. Tom é um apelido para Tomas. Esse nome é de origem aramaica e significa uma pessoa que vive de maneira intensa e dificilmente se acostuma com uma existência pacata e marcada por atividades de rotina. Podemos dizer que revelar somente esse nome na narrativa não ocasiona nenhum efeito de sentindo, pois podemos pensar que por ser um maquinista, Tom vive uma rotina e uma existência pacata. Pelo menos no conto, essa personagem não nos revela nada de extraordinário. Ele poderia somente ter saído de sua rotina por um momento.
Clarissa
*personagens – Sinaleiro - protagonista
As personagens são planas, como geralmente o são em contos devido ao curto espaço de tempo. No conto “O sinaleiro” não há análises psicológicas profundas e as personagens não mudam de forma intensa seus aspectos psicológicos no decorrer do enredo.
Temos como personagens o protagonista “Sinaleiro”. Ele é considerado herói pois não está abaixo de nós – pessoas comuns – e tem qualidades notáveis. Ele é, dentro da realidade da ficção, uma pessoa responsável, atenta e exata com seu trabalho. Nunca cometera erros, é um homem consciente e reconhecido por realizar seu ofício como ninguém, como se pode ver nos trechos abaixo:
Trechos:
O que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo. O sinaleiro repetia a palavra “senhor” de tempo em tempo, e especialmente quando se referia a sua juventude, como se quisesse me pedir para entender que não desejava ser mais do que eu estava vendo. Fomos interrompidos várias vezes pela pequena campainha, e pela sua necessidade de ler mensagens e enviar respostas. Uma vez saiu à porta, empunhou a bandeirola enquanto um trem passava, e falou alguma coisa com o condutor. No que toca aos seus deveres, vi que ele era exato e atento, parando de falar no meio da frase e só voltando a conversar quando terminasse o trabalho. (Dickens, 1866, p.4-5)
Ele balançou a cabeça. “Eu nunca cometi um erro como esses antes. Nunca confundi o toque do fantasma com o de um homem. O toque do fantasma é uma vibração estranha na sirene que vem do nada, e eu não acho que a vista capte a vibração da sirene. Não me espanto de que você não a tenha ouvido. Mas eu a ouvi.” (Dickens, 1866, p.9-10)
Era triste ver a dor daquele espírito. A cabeça de um homem consciente estava sendo torturada e oprimida por uma responsabilidade incompreensível que envolvia vidas humanas. (Dickens, 1866, p.10)
“Ele foi atingido por um trem, senhor. Nenhum homem na Inglaterra conhecia melhor o seu próprio ofício, mas por algum motivo ele não saiu dos trilhos.” (Dickens, 1866, p.12)
O Sinaleiro vive em uma vala profunda aonde os raios de sol raramente chegam. É uma pessoa solitária e sua vida se resume ao seu trabalho, à sua cabine – cama, lareira, escrivaninha, telégrafo e sirene – e à ferrovia.
Podemos dizer que o lugar que ele escolheu para trabalhar e para passar todo o seu tempo descreve muito sobre a personagem...
Trechos:
No que diz respeito àquelas longas e solitárias horas às quais eu parecia fazer tanto caso, ele dizia apenas que a rotina de sua vida e acomodara àquilo. (Dickens, 1866, p.3)
Enquanto trabalhava, precisava realmente ficar exposto àquele corredor de vento úmido? Ele não podia tomar sol entre as altas paredes de pedra? Isso dependeria do clima e das circunstâncias. Em algumas condições havia pouco a fazer na via, tanto durante o dia quanto à noite. Com o tempo claro, ele fugia um pouco das sombras; mas, como poderia a qualquer momento ser chamado pela campainha elétrica, nessas condições ficava ainda mais atento e o descanso era menor do que eu poderia supor. (Dickens, 1866, p.3)
Ele me levou para dentro da cabine, onde havia uma lareira, uma escrivaninha para um livro oficial em que ele fazia certas entradas, um aparelho de telégrafo com seu painel, indicadores e agulhas, e a pequenina sirene de que ele tinha falado. (Dickens, 1866, p.3)
Quando moço (sentado naquela choupana, para mim era mais fácil acreditar naquilo do que para ele), fora um estudante de filosofia natural e assistira a palestras; mas tinha deixado as coisas passarem, perdido várias oportunidades e nunca se recupera. Mas não tinha reclamações sobre aquilo. (Dickens, 1866, p.3)
Clarissa
INFORMAÇÃO IMPORTANTE
SIGNAL-MAN DEFINITION – definição de sinaleiro
- a person responsible for signaling OR receiving signals = pessoa responsável por sinalizar ou receber sinais!!!
Isso diz muito sobre o nosso protagonista, né!
MAYRA:
Oláaaaa, pessoar!!
Aki vai algumas anotações q eu fiz...
Curiosidades:
O Sinaleiro = Mescla de um personagem perturbado por uma assombração/alucinação, com um outro que entra de coadjuvante nesta história de suspense que dispensa elogios de tão inédita e bem descrita que é.
O Sinaleiro pertence a uma zona nebulosa, ou intermédiaria, entre o conto de terror ou sobrenatural, e o conto policial, que mal iniciava na sua época. Aliás, é possivel que Dickens tenha começado a se interessar pelo romance policial pela influencia de seu amigo Wikie Collins tanto que, ao morrer, deixou sua primeira tentativa no gênero inacabada, O mistério de Edwin Brood ( e a própria vida, talvez confirmando o autor se encarregou de dar um ar sobrenatural ao fururo desde romance, que teve varias tentativas de finalização via psicologia ) inclusive por parte de um operário inculto e espírita que teria recebido o “ espírito” de Dickens.
Descrição Física do Sinaleiro :
“ Homem moreno e pálido com uma barba escura e sobrancelhas espessas.” ( Dickens, 1866, p 2 )
“ Foi mais ou menos sobre isso que falei, mas sem nenhuma certeza sobre os termos adequados a usar, já que não sou muito bom para começar uma conversa e também havia alguma coisa de ameaçadora naquele homem.” ( Dickens, 1866, p3)
“ Pensei em algo assustador enquanto acompanhava o olhar fixo e o rosto saturnino daquele espírito ( não era uma pessoa ) comecei a especular se ele tinha algum problema mental.” ( Dickens, 1866, p3)
OBS: SATURNINO = sombrio, triste como a cor do chumbo.
“ O sinaleiro tinha também estudado frações e decimais e tentado uma pequena álgebra,mas era desde garoto inábil para calculo.
OBS: INABIL=
Que não é hábil; sem destreza ou competência; desajeitado, inapto.
Incapaz
“ o que estou resumindo aqui foi dito por ele de um jeito calmo, com seu grave semblante escuro dividido entre mim e o fogo.” ( dickens,1866, p 3)
MAYRA:
Olha gente o que eu acheiNa linha do trem
Com lugar de honra em Contos Fantásticos do Século XIX: o Fantástico Visionário e o Fantástico Cotidiano - antologia organizada pelo escritor italiano Ítalo Calvino publicada no Brasil em 2004 -, o conto "O Sinaleiro", de Charles Dickens, já rendeu uma boa adaptação para a televisão britânica em 1976, protagonizada pelo ator Denholm Elliott. Agora é a vez de ser levada à tela grande, desta vez numa produção apoiada nos mais modernos recursos da tecnologia digital.
A iniciativa é do cineasta Ricardo Garcia Marques, que se propõe a conduzir o espectador por uma viagem pelos trilhos do processo criativo do próprio Dickens, um dos maiores nomes da literatura inglesa do século XIX. Em Na Linha do Trem, o personagem-título vive atormentado por fantasmas que aparecem na boca do túnel da ferrovia - única comunicação do Sinaleiro com o mundo - para anunciar terríveis acidentes.
A fim de explorar o potencial imagético sugerido pelo conto, Marques opta pelo uso intensivo de técnicas de computação gráfica, efeitos especiais e chroma-key. As cenas filmadas em estúdio com os atores são digitalmente mescladas às "locações", que, no caso, se resumem tomadas de uma maquete de estação de trem.
VOu assisitir...
Entre um arrepio e outro, o excelente “O sinaleiro”, de Dickens, provoca reflexões sobre a monotonia da vida dos ferroviários e sobre estranhas circunstâncias presentes na vida humana.
Ae No Youtube tem um filmizinho... pena q esta em inglês....
http://www.youtube.com/watch#!v=c06WUYsI0ic&feature=related
http://www.youtube.com/watch#!v=udnAYweewLk&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=pDeJ-7NPNyk&NR=1
http://www.youtube.com/watch#!v=YZerzeVz5B4&feature=related
MAYRA
Achei alguns textos sobre o autor do nosso conto CHarles Dickens..
Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado por sua mãe, tomou gosto pelos livros. Durante três anos freqüentou uma escola particular. Contudo o seu pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos.
Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra.
Em 1827, Dickens começou a trabalhar em um cartório. Apaixonado pela filha de um banqueiro, Maria Beadnell, suportou a desaprovação do romance pelos pais da moça, que acabou se tornando indiferente a ele.
Em 1832 conseguiu um emprego como repórter no jornal "Morning Chronicle". Passou a publicar crônicas humorísticas sob o pseudônimo de Boz, reunidas mais tarde como "Esboços feitos por Boz". Com isso Dickens ganhou espaço no jornal para apresentar os capítulos de "As Aventuras do Sr. Pickwick", que estabeleceu o seu nome como escritor.
A 2 de Abril de 1836 Dickens se casou com Catherine Hogarth., com quem teve dez filhos. Dois anos depois começou a divulgar, em folhetins semanais, "Oliver Twist" onde, pela primeira vez, apontava os males sociais da era vitoriana. O romance era ilustrado por Cruikshank.
Em 1838, Dickens escreveu "Vida e Aventura de Nicholas Nickleby", e, depois, "Loja de Antiguidades" (1840), "Barnaby Rudge" (1841) e "Martin Chuzzlewitt" (1843/44), escrito após uma viagem aos Estados Unidos.
Em 1843, publicou o seu mais famoso livro de Natal, "A Christmas Carol", ao qual se seguiriam outros, como "The Chimes" (1844), que escreveu durante uma viagem a Gênova e "O Grilo da Lareira" (1845). Em 1849 publicou um de seus mais conhecidos romances, "David Copperfield", inspirado em grande parte, na sua própria vida. Aos poucos sua obra se tornou mais crítica em relação às instituições inglesas. Seguem esta linha os seus livros "Assim São Dombey e Filho" (1847), "A Casa Sombria" (1852) e "Tempos Difíceis".
Dickens separou-se da sua mulher em 1858. A causa da separação teria sido a atriz Ellen Ternan, que acompanhou o escritor até ao final dos seus dias, apesar de a união nunca ter sido reconhecida oficialmente.
Dickens escreveu ainda "História de Duas Cidades" (1859), "Grandes Esperanças" (1861) e "Nosso Amigo Comum" (1864). Nos últimos anos de sua vida iniciou o livro "O Mistério de Erwin Drood", mas morreu antes de concluí-lo.
http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u741.jhtm
Charles Dickens
Escritor inglês nascido em 1812, em Landport, Portsmouth, e falecido a 8 de Junho de 1870, em Gadshill, Rochester. Charles Dickens nasceu numa família modesta e foi obrigado a trabalhar, ainda criança, depois do pai ter sido preso por acumulação de dívidas. Nessa altura já vivia em Londres, para onde se mudou aos dois anos. Conseguiu fazer a instrução primária e foi então trabalhar como ajudante num escritório de advogados. Aos 18 anos, também fazia leituras públicas no Museu Britânico. Entretanto, tornou-se jornalista, tendo elaborado crónicas sobre o parlamento britânico e textos para jornais humorísticos.
Aos 21 anos iniciou a carreira de escritor, assinando contos e ensaios que eram publicados em jornais. Cinco anos mais tarde, escreveu o livro The Pickwick Papers (As Aventuras Extraordinárias do Senhor Pickwick) e tornou-se, desde logo, um autor de sucesso. Passou então a publicar romances através de folhetins mensais que se tornaram muito populares. Com este livro, nasceu um novo tipo de mercado para os escritores ingleses, propondo obras mais baratas.
Oliver Twist, uma das obras mais conhecidas de Dickens, também foi inicialmente publicada em fascículos, entre 1837 e 1839. Neste livro, conta a história de um rapaz a quem é escondida uma valiosa herança e que acaba por integrar um bando de jovens ladrões.
Seguiu-se Nicholas Nikelby, lançado entre 1838 e 1839, que conta a história de um rapaz em busca de fortuna. Este romance foi adaptado ao cinema, em 1948, por David Lean.
Em 1843, surgiu A Christmas carol (Cântico de Natal), que tornou famosa a personagem de Mr. Scrooge, nomeadamente através de diversas adaptações cinematográficas.
Em David Copperfield, acabado de publicar em 1850, Dickens aproveitou a sua experiência de trabalho numa fábrica para escrever a história.
Entre 1860 e 1861, publicou uma das suas últimas grandes obras, Great Expectations (Grandes Esperanças), onde conta a história de um órfão que é adoptado por uma família rica e se torna um snob. Mas quando o seu protector morre, tem de partir de novo do nada.
Inspirado na sua infância infeliz, Dickens lançou romances protagonizados por crianças, como David Copperfield, Hard Time (Tempos Difíceis) e Oliver Twist, onde estas são os heróis, mas onde há muito humor.
As suas obras denunciam a vida difícil do operário na sociedade industrial emergente e, em particular, a miséria das classes sociais mais baixas e a precariedade da infância, ao mesmo tempo que evidenciam uma arte narrativa caracterizada por uma grande penetração psicológica posta na composição dos caracteres.
Paralelamente à carreira de escritor, Charles Dickens viajou bastante fazendo campanha contra os males da sociedade. Dedicou-se também a dar conferências, nomeadamente nos Estados Unidos da América.
Depois de ter vivido em Londres, Itália, Suíça e França, Dickens estabeleceu-se em Gadshill (Inglaterra), em 1860, onde viria a morrer a 8 de Junho de 1870.
http://www.infopedia.pt/$charles-dickens
Clarissa
Gente, montei a parte das funções do espaço!!
Vou arrumar direitinho o q a gnt fez até agora de narrador e arrumar esse trem do espaço e por aqui!!
O trabalho é pra dia 18 de maio, e nao dia 15 de junho!
REUNIÃO DE HOJE - DIA 15 DE ABRIL CANCELADA!!
O TEMPO
O tempo da narrativa é predominantemente cronológico, onde o autor traça a história numa sequência clara de eventos, em uma narrativa curta e ágil. Contudo, algumas anacronias aparecem na narrativa, tanto antecipando como rememorando os fatos narrados, causando uma forte sensação de redundância do evento principal da história.
Verifica-se o uso ou a presença de analepse no início do conto, quando o sinaleiro relembra as tragédias passadas:
“Seis horas depois da Aparição, aconteceu o famoso acidente na via. Depois de dez horas os mortos e feridos foram trazidos através do túnel até o lugar onde o vulto tinha estado.” (pag. 7)
Em seguida, antecipa-se os eventos futuros pela interpretação dos sinais misteriosos do espectro pelo sinaleiro, de onde se verifica o uso de prolepse, de ocorrência típica quando o narrador é autodiegético:
“Qual é o perigo? Onde está o perigo? Há perigo em algum lugar na via. Alguma tragédia vai acontecer. Não tenho mais nenhuma dúvida agora, depois do que ocorreu antes. Mais isso me assombra muito. O que eu posso fazer?” (pag. 10)
Novamente, o conto culmina em analepse, com o personagem Tom relatando a morte do sinaleiro, de ocorrência anterior ao momento da narrativa:
“Saindo da curva do túnel, senhor”, ele disse, “consegui vê-lo de longe, como se eu o avistasse por uma lente. Não havia tempo de checar a velocidade, e eu conhecia o seu cuidado. Como ele parecia não ter ouvido o apito, desliguei-o quando estávamos chegando perto dele, e gritei o mais alto que pude.” (pag. 13)
É exatamente esse enfoque que confere ao conto, repita-se, uma sensação de redundância que impressiona o leitor, causando arrepios e estarrecimento. Antecipar os fatos e, posteriormente, narrá-los como já consumados, é uma estratégia eficiente em contos de suspense.
Do ponto de vista da distância temporal, as anacronias presentes no texto podemos dizer que são internas, homodiegéticas e repetitivas, pois sua duração começa e acaba com a narrativa primária, se referindo a mesma linha de história, visando produzir efeitos de redundância.
Do ponto de vista da duração, verificamos a ocorrência de elipse, ou time shift, quando o autor evita narrar partes da narrativa que seriam pouco interessantes, ou atrapalhariam a narrativa primária, sem muito a acrescentar. Assim, não seria interessante, nem contribuiria para a narrativa, contar o que o narrador fazia no momento da morte do sinaleiro. Narra-se tão somente sua saída e sua volta à cena:
“Seu horário de trabalho mudaria na noite seguinte, ele sairia uma ou duas horas depois do raiar do dia e só voltaria à noite. Marquei de voltar naquele horário. A noite caíra bastante amena, e eu saí mais cedo para desfrutar dela. O sol não estava ainda muito baixo quando atravessei o atalho perto do topo do alto barranco.” (pag. 12)
Clarissa
Gente, hj nao tem reunião!
Próxima reunião - dia 29 de abril - quinta-feira
vamos levar tempo, espaço e linguagem analisados!
e aquelas partes das funçoes do narrador!
daí vai faltar pouco!!!
até a próxima quinta-feira!!
_
ESPAÇO
FUNÇÕES DO ESPAÇO
1 – Caracterizar as personagens, situando-as no contexto sócio-econômico e psicológico em que vivem.
No conto, o espaço nitidamente é elaborado para dar ênfase ao contexto psicológico dos personagens. Ao definir o espaço em um ambiente restrito a um penhasco e um cubículo, próximo a uma linha de trem, o autor demonstra intenção em trabalhar o contexto psicológico dos personagens. Logo, o espaço tem a função de caracterizar os personagens, nitidamente a figura do sinaleiro, destacando-o como pessoa isolada em seus afazeres, sem convívio social. Esse isolamento espacial reflete também o isolamento do personagem, ajuda a caracterizá-lo. Claramente, essa situação espacial foi desenvolvida intencionalmente pelo autor.
2- Influenciar as personagens e também sofrer suas ações.
O espaço não influencia as ações dos personagens, no conto. Não é determinante, nesse sentido, embora seja essencial para a caracterização dos personagens.
3- Propiciar a ação.
O isolamento espacial é propício para desenvolver o tipo de ação pretendida pelo autor. Nesse ambiente solitário, o sinaleiro parte em diversas buscas ao encalço do espectro, para tentar decifrar o enigma que o atormenta. O espaço aparece de forma tão restrita, que parece mesmo natural que o sinaleiro tenha sido atingido pelo trem, em uma de suas buscas, como se não houvesse outro espaço possível.
4- Situar o personagem geograficamente.
Esta função está presente na narrativa. Os personagens se deslocam no espaço e a ação se desenvolve em pontos definidos. Quando o sinaleiro morre, por exemplo, os outros personagens não ocupam o mesmo espaço, vindo a saber do fato em um momento posterior.
5 – Representar os sentimentos vividos pelos personagens.
Ao descrever um cenário isolado e rústico, o espaço da narrativa aparece em homologia com o sentimento do personagem. Ou seja, a solidão do personagem aparece refletida no cenário, se constituindo de um aspecto importante na narrativa.
6 – Estabelecer contraste com as personagens.
Não aparece no conto. O espaço construído não faz oposição com os personagens, pelo contrário, ajuda a caracterizá-los.
7 – Antecipar a narrativa.
Não há elementos suficientes no cenário para influenciar o leitor a antecipar a narrativa. Os acontecimentos são imprevisíveis.
ESPAÇO E ENREDO
O espaço do conto pode ser considerado como imaginativo. Não se assemelha ao cotidiano da vida real, mas é possível de ser imaginado, com elementos que auxiliam ao leitor que o espaço criado pelo autor é possível de existir em algum lugar do planeta, embora não exista de fato, nem se reflita no cotidiano da vida real.
O percurso espacial está presente na narrativa, havendo a apresentação dos personagens, a complicação (quando os encontros com o espectro são narrados pelo sinaleiro), o desenvolvimento (quando os personagens tentam resolver o enigma, sem sucesso, voltando em seguida aos seus lugares de origem) e o desfecho.
Em todo o enredo, o espaço é sempre o mesmo. Isso reforça a sensação de solidão, de isolamento e de mistério que envolve toda a trama.
TOPOGRAFIA LITERÁRIA
Não existe a descrição de um macroespaço na narrativa. Toda a trama se passa em um microespaço, cujo cenário é limitado a um penhasco, uma cabine de controle e uma linha de trem. De fato, o cenário é tão limitado, em sua descrição, que tudo parece envolto em névoas, já que o horizonte não é descrito. O único elemento de natureza presente é o penhasco, cujo caminho sinuoso é percorrido várias vezes pelos personagens durante a trama.
Decididamente, podemos dizer que o espaço da narrativa se resume a este ambiente, não havendo descrição detalhada de uma paisagem dominante, nem disputa por territórios de nenhuma espécie.
Visualizando a narrativa por um eixo vertical, verificamos que ocorrem movimentos no eixo cima-baixo. Essa movimentação parece ter sido intencionalmente posta para caracterizar ainda mais o isolamento do personagem principal, cujo ambiente só é acessível por meio de um caminho sinuoso.
No eixo horizontal, não há descrições. Existe uma linha de trem, mas não se sabe o seu começo ou fim. Existe uma cidade próxima ao local, mas nem ela nem seu caminho são descritos, apenas sabe-se que é próxima, mas não é descrita e não faz parte do ambiente da narrativa. Ou seja, não há amplitude horizontal.
Não se trata de espaço interior, e sim exterior, mas tem amplitude restrita, é periférico, distante. E sua posição correta não é sabida. Um espaço perfeito para uma pequena trama de mistério.
ESPACIALIZAÇÃO
A espacialização é nitidamente dissimulada. Os espaços vão surgindo conforme o personagem-narrador vai se movimentado e os descrevendo. Mesmo a linha de trem, que estava próxima, somente é notada após a passagem do trem.
Para descrevê-los, o autor se vale de gradações sensoriais da visão e audição do personagem-narrador. Não há interação com elementos olfativos, táteis ou de sensibilidade ao paladar.
Não há presença de fronteira, se tratando de uma espacialização monotópica, restrito a um único ambiente. Podemos dizer mesmo que seja topofóbico, não havendo interesse em outros lugares.